“O medo venceu a esperança”. Este é o pensamento dos moradores de Jardim Paquetá, no bairro Palhada, em Nova Iguaçu. A esperança a qual eles se referem era o início das obras do Programa de Aceleração do Crescimeto, em 2008, durante o mandato do ex-prefeito e atual senador Lindbergh Farias (PT). Ainda durante o governo do petista, as obras do PAC foram parcialmente paralisadas, e totalmente, após Sheila Gama (PDT) assumir o cargo.
Restou aos moradores o medo. Medo dos assaltos, devido à falta de viaturas da polícia, que é incapaz de circulas pelas ruas completamente esburacadas e tomadas pelo esgoto, e pela péssima iluminação pública. Medo de doenças como leptospirose e dengue, devido acúmulo de água parada e a chuva que invade as casas de muitas famílias. Medo também de não ter a quem recorrer em situações de urgência.
“Esta paralisação prejudicou a todos nós. Esta situação fere um dos direitos constitucionais da população, que é o direito de ir e vir. Muitas pessoas não conseguem sequer sair de casa em dias de chuva e outros precisam amarrar sacos nos pés para sair para trabalhar. As ruas estão tão destruídas que nem mesmo uma ambulância consegue entrar aqui para socorrer alguém”, revelou o sargento bombeiro e pastor evangélico Mesac Eflaín, 34 anos, morador da Rua Julia Martins.
A rua de Mesac é uma das poucas asfaltadas na comunidade. Mas, segundo os moradores, todas as outras constam como asfaltas pela Prefeitura de Nova Iguaçu. Com muitos buracos e esgoto por toda parte, nem mesmo os caminhões de lixo são vistos com frequência no Jardim Paquetá.
“A coleta é irregular. Deveria acontecer todas as terças e quintas-feiras, mas já ficamos duas semanas sem coleta. As pessoas são obrigadas a recolher o lixo para casa novamente e outras acabam queimando”, contou o morador da Rua Aldina Nunes, Edson Cordolino Néri, 31 anos.
Documento cobra providências
Ele cobra uma solução dos governos municipal e federal e ressalta a importância da união de todos os moradores da comunidade para que a voz do povo seja ouvida e as obras retomadas. Pensando nisso, Mesac deu início a coleta de assinaturas para um abaixo-assinado que será encaminhado à Prefeitura. Enquanto o governo não dá ouvidos à população, a aposentada Leci Maria de Jesus Silva, 69 anos, sofre as conseqüências pela inconseqüência da paralisação das obras do PAC.
“No dia 28 de maio de 2009, eu caminhava pela rua quando escorreguei em um buraco da obra e machuquei o ombro. Era manhã de uma quinta-feira, mas só consegui atendimento médico na noite do dia seguinte. Meu ombro saiu do lugar e precisei passar por uma operação. Mas só consegui operar no dia 6 de abril deste ano. Quase dois anos depois. Até hoje faço fisioterapia, mas não posso fazer nada. Dependo da minha filha para tudo”, lamentou a aposentada, moradora da Rua Parreira.
Morador do Jardim Paquetá há cerca de 40 anos, João Custódio da Silva, reclama da dificuldade enfrentada por moradores de uma comunidade que só ouviu falar em saneamento básico e urbanização, mas que nunca viu tais melhorias.
“Começaram a obra e deixaram tudo pelo caminho. É muito difícil viver nesta situação. Só não me mudo por causa da minha família que também vive aqui”, disse o senhor, que completará 86 anos dentro de um mês e pede um presente à prefeita Sheila Gama e à presidenta Dilma Rousseff.
“Meu maior presente de aniversário seria ver o bom andamento das obras do PAC”.
Este seria um presente não só para João, mas também para toda a comunidade. Por isso, o pastor Mesac pede para que todos assinem o abaixo-assinado que solicita a retomada das obras de saneamento básico e asfalto do PAC, iluminação pública e coleta regular de lixo, visita do ônibus itinerante da Secretaria Municipal de Saúde e a inserção de políticas públicas da prefeitura.
Quem quiser conhecer mais sobre os problemas de Jardim Paquetá e saber como participar do abaixo-assinado pode acessar www.blogdomesac.blogspot.com.
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