
As eleições do dia 5 de outubro para prefeito e vereador no Brasil servirão de espelho para mostrar os prováveis vencedores das eleições para governadores dos 27 estados nas eleições de 2014. Pensando no futuro, a briga dos governos, para indicar nomes e eleger a maioria dos prefeitos em 2012, começa agora. A Presidência da República também entra na dança, pois quem tiver o apoio da maioria dos governadores eleitos em 2014 terá mais chances de vencer as eleições presidenciais. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde há um universo de quase 12 milhões de eleitores, três grandes lideranças políticas trabalham hoje de olho na sucessão do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), vislumbrando também a força política para influenciar as eleições para a presidência do país.
Uma dessas lideranças é o próprio governador do Rio, Sérgio Cabral, que sonha em eleger seu vice, Luiz Fernando Pezão, para governar em seu lugar. O outro é o senador Lindbergh Farias (PT) que, com o apoio e empenho pessoal do seu amigo, o ex-presidente Lula, quer ser governador. E tem também o deputado federal Anthony Garotinho (PR), que pretende voltar a governar o estado do Rio em 2014. Além disso, existem outras lideranças que, ao aproximar das eleições, aparecem como candidatos. Para pavimentar os dois caminhos, estas três lideranças disputam, dia e noite, as alianças e apoios políticos nos 92 municípios do estado, principalmente nos da Baixada Fluminense, uma região com mais de 2,5 milhões de eleitores que, historicamente, decide as eleições para governador do Rio.
Tristezas e decepções
Pelo quadro que se apresenta hoje na Baixada, tomando-se como exemplo apenas os oito municípios de maior peso eleitoral na região, constam, pelo menos, 29 pré-candidatos a prefeito. Pelas tendências partidárias e também pessoais, Sérgio Cabral teria apoio de 11 candidatos; Lindbergh Farias, 12. O quadro atual tiraria o sono de Garotinho, que está na pior situação, com apenas 5 aliados. E essa insônia começaria pelo município de Nova Iguaçu, onde ele pode sofrer amarguras e decepções políticas. Pois todos já sabem a tendência de sete prefeitáveis em relação ao apoio para governador. A exceção é o deputado federal Nelson Bornier (PMDB), que ainda não decidiu para qual dos três irá trabalhar.
Quem é quem na Baixada
Em Duque de Caxias, o governador Cabral tem o apoio do prefeito José Camilo Zito (PP), que disputa a reeleição, e do deputado federal Washington Reis (PMDB), que quer voltar a ser prefeito.Lindbergh tem o deputado Alexandre Cardoso (PSB) e Dalva Lazzaroni (PT). E Garotinho fica apenas com o deputado Samuquinha (PR).
No município de São João de Meriti, o prefeito Sandro Matos (PDT) tem todos os motivos políticos e partidários para apoiar a candidatura de Lindbergh. Sérgio Cabral fica com o deputado Marcelo Simão (PSD) e Garotinho tem o apoio do candidato João Ferreira, ex-vereador da cidade.
Em Belford Roxo, o prefeito Alcides Rolim (PT) e Dennis Dauttmmam (PCdoB) apoiariam Lindbergh; a ex-prefeita Maria Lúcia (PMDB) e o deputado Waguinho (PRTB) ficariam com Cabral e Garotinho que, por enquanto, não tem nenhuma aliança partidária no município.
Em Mesquita, o governador Sérgio Cabral teria o apoio de Farid Abraão, presidente do PDT local, e ex-prefeito de Nilópolis, que disputa as eleições para prefeito da cidade, e do vereador Gelsinho Guerreiro (PSC). O vereador André Taffarel (PT) fica com Lindbergh e o ex-vereador Jorge Campos com Garotinho.
Na cidade de Queimados, o prefeito Max Lemos (PMDB) apóia o candidato de Cabral e Jorge Picciani; o vereador Jefferson Dias (PDT), suplente de deputado federal, e o deputado Zaqueu Teixeira (PT) vão de Lindbergh. Garotinho fica apenas com o ex-prefeito Rogério do Salão (PR).
No município de Nilópolis, o prefeito Serginho Sessim (PP), filho do deputado federal Simão Sessim (PP), disputa a reeleição. Eles apoiarão o candidato de Sérgio Cabral. Manuel Rosa (PR), o Neca, fica com Garotinho, além de outros que ainda não decidiram pelas candidaturas próprias, mas tendem a apoiá-lo.
Em Japeri, o Ivaldo Barbosa (PSD) o Timor, deverá ficar com o governador Cabral, enquanto o deputado estadual André Ceciliano (P) apóia Lindbergh e o advogado e ex-prefeito da cidade Carlos Moraes (PR) fica com Garotinho. Existem outras candidaturas em fase de decisão.
A dor de cabeça de Garotinho
Na cidade de Nova Iguaçu, a situação é bem mais complicada. O coração da prefeita Sheila Gama, que disputará a reeleição, bate pelo apoio de Lindbergh. Mas ele defende candidatura própria e apóia o vereador Carlos Ferreira, o Ferreirinha. O senador tem também apoio do cantor Waguinho para sua candidatura de governador em 2014, além do ex-deputado federal Rogério Lisboa, presidente do DEM. O deputado federal Walney Rocha (PTB) e o estadual Alexandre Adriano (PV), o Xandrinho, ficam com Cabral. E o deputado federal Nelson Bornier (PMDB) ainda está avaliando as candidaturas para saber quem irá apoiar para governador em 2014.
Pelo atual mapa político de Nova Iguaçu, Garotinho fica sem apoio. O seu partido, o PR, poderá apoiar a candidatura de Rogério Lisboa. Mas esse apoio não terá retorno, pois ele, como um jovem de palavra, deverá honrar seu compromisso com o senador Lindbergh. Rogério foi secretário prestigiado no comando da pasta de Obras, quando o atual senador foi prefeito de Nova Iguaçu. Além disso, foi deputado federal com apoio total do então prefeito. Ao deixar Brasília, voltou também prestigiado ao ser nomeado assessor de Lindbergh no senado federal. Em nome da honra e da moral, não deverá faltar com seu apoio ao petista.
O Caminho incerto do PR
Ainda em Nova Iguaçu, pois não se sabe se o deputado Nelson Bornier irá apoiar o candidato de Cabral, Lindbergh ou Garotinho. Ele está afinado com a direção regional do PMDB, mas não votou com a Dilma Rousseff, e Cabral não gostou disso. Por outro lado, o PR de Garotinho tem um caminho duvidoso em Nova Iguaçu, pois Rogério Lisboa implora para ter o partido de Garotinho em sua coligação, mas é um homem de confiança do outro pretenso candidato a governador do Rio. Sensato, o deputado Garotinho deverá respeitar o compromisso de Rogério com Lindbergh e buscar novas alianças na cidade para ter apoio partidário em Nova Iguaçu, um município estratégico para as eleições ao governo do estado e outras candidaturas. Afinal, foi deste município que o então prefeito Lindbergh Farias alçou seu grande vôo para ser senador da República.
Porque eles (e ela) querem ser prefeito
O JORNAL DE HOJE procurou pré-candidatos a prefeito de Nova Iguaçu e a todos eles fez uma única pergunta. “Porque você quer ser prefeito?”. As respostas foram as seguintes:
“Nasci nessa cidade, há 58 anos, no bairro da Viga. Estou preparado para governar minha cidade. O meu partido, o PV, também entende assim. E eu tenho certeza de que o povo vai me ajudar nesse projeto, que é de todos. Vamos brigar para ganhar as eleições. A cidade de Nova Iguaçu esta precisando sair da falência administrativa em que se encontra hoje”.
Deputado Alexandre José Adriano (PV), o Xandrinho.
Deputado Alexandre José Adriano (PV), o Xandrinho.
“Sou morador de Nova Iguaçu há sete anos. Desde jovem tenho militância política. Em 2010 fui candidato ao senado e tive 1 milhão e 300 mil votos. Só no município foram 99 mil. Em 2011 recebi convite do PC do B para me filiar e construirmos juntos um projeto para a cidade. Um projeto que não é só meu, mas de um grupo de pessoas. Ser prefeito da cidade onde moro e a possibilidade de mudar para melhor a vida das pessoas é o que me motiva a enfrentar mais esse desafio em minha vida”. Wagner Dias Bastos, o Waguinho. “A candidatura só existe após a convenção do partido. Mas vou fazer o melhor pela cidade. Pois já tenho experiência comprovada como prefeito. Vou retomar saúde púbica de qualidade, a educação, melhorar o trânsito e, principalmente, a saúde financeira do município”. Deputado federal Nelson Bornier.
“Sou nascido e criado no município e conheço bem as necessidades e os anseios da população de Nova Iguaçu”. Deputado federal Walney Rocha (Em entrevista ao JH – edição de 23 de março).
“Iniciamos, no governo Lindberg, um grande programa de desenvolvimento social, econômico e ambiental de nossa cidade, que infelizmente está paralisado. Acredito que apresentamos condições de liderar o processo de retomada deste crescimento, pois temos forte interlocução com o governo federal, o qual é indispensável para alavancar recursos financeiros e realizar os investimentos, especialmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento econômico”. Carlos Ferreira, Ferreirinha.
“Servir é uma vocação. Diante de todas as dificuldades que encontrei ao assumir o governo da cidade, o meu sonho é ver os projetos que estão em andamento serem realizados.É preciso fechar o ciclo. Assumi há dois anos e é um tempo muito curto para colocar em prática todos os projetos que temos para cidade, que é tornar Nova Iguaçu uma cidade mais humana, mais moderna, com respeito ao cidadão. Pra mim, as escolas são uma questão de honra”. Prefeita Sheila Gama.





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