segunda-feira, 13 de junho de 2011

Verba remanejada para gratificação de bombeiros

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Estado destinará 30% do Funesbom para compor bônus. Ontem, passeata reuniu 27 mil pessoas na orla de Copacabana

Rio - No dia em que bombeiros atraíram 27 mil pessoas para caminhada na orla de Copacabana, o governador Sérgio Cabral anunciou que vai remanejar 30% dos recursos do Funesbom (Fundo Especial do Corpo de Bombeiros) para compor as gratificações dos bombeiros.
Na edição de ontem, O DIA revelou que o dinheiro do fundo — que administra a taxa de incêndio — custeia viagens de oficiais ao exterior. Este ano, serão gastos R$ 930 mil para levar 33 tenentes-coronéis a Portugal, Alemanha, França e Itália e 42 capitães aos EUA. A corporação defende que está investindo na “melhoria do serviço prestado pelos oficiais”.
Foto: Paulo Araujo / Agência O Dia
A mensagem do governo que propõe a mudança na destinação da verba do Funesbom será enviada hoje à Assembleia Legislativa. Pela proposta, 70% do fundo será aplicado na manutenção e aquisição de equipamentos e treinamento dos bombeiros. Essa parte da verba será destinada também às assistências médico-hospitalar e social da corporação. 

O aumento nos vencimentos foi uma das reivindicações lembradas ontem no ato que tingiu de vermelho todas as pistas da Avenida Atlântica, do Leme ao Posto 6. Artistas também prestigiaram o evento, como a cantora Alcione, madrinha dos militares há 10 anos: “Tenho um show para fazer na Quinta da Boa Vista, mas não podia deixar de prestar minha homenagem. A invasão (do QG) foi de cabeça quente, mas o governador vai ser sensível porque as forças precisam se unir. Os bombeiros têm que ter anistia e salário melhor”. A atriz Neusa Borges esteve lá.O protesto teve a adesão de profissionais de Educação e Saúde, PMs e policias civis. Os moradores da orla esticaram panos vermelhos nas janelas.Começa briga pela anistia Os bombeiros retomam hoje a briga por melhores salários e pela anistia. Eles querem evitar novas prisões e a expulsão de quem participou da invasão ao QG. O Ministério Público denunciou 429 bombeiros e dois PMs por motim e danos ao patrimônio.Os deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Dr. Aluisio (PV-RJ), Protogenes Queiroz (PCdoB-SP) e Mendonça Prado (DEM-SE) pediram a anistia ao comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões. Segundo Molon, ele se mostrou “sensibilizado”. Hoje, Simões deve se encontrar com o governador.Às 10h30, líderes se reúnem com o presidente da Alerj, o deputado Paulo Melo (PMDB) para tratar da anistia. Para quinta, às 14h, programam assembleia na escadaria da Alerj.Críticas ao uso dos recursos do fundo Durante a passeata, um dos líderes do movimento, o cabo Benevenuto Daciolo, criticara o uso dos recursos do Funesbom para pagar viagens. Essa verba têm que ser aplicada em equipamentos e material para a tropa: “Qualquer desvio deste propósito é irregular. É um absurdo o guarda-vida receber só um tubo de filtro solar por ano. Há  casos em que as equipes vão apagar incêndios e o bombeiro não está com o capacete adequado”.Os bombeiros reivindicam piso de R$ 2 mil líquidos, vale-transporte e melhores condições de trabalho. Pela proposta de reajuste do governo do estado, esse valor só será alcançado em dezembro de 2014.Na areia foram soltos 439 balões de gás em referência aos militares presos após a invasão do QG na sexta-feira dia 3.Várias gerações no ato que fechou a Avenida AtlânticaDurante a caminhada, os bombeiros cantaram músicas de críticas ao governador Sergio Cabral, hinos, fizeram flexões e orações. Apesar de citados no microfone, os políticos que acompanharam o ato não puderam subir no carro de som para discursar.O bombeiro Cleiton Lira levou a esposa com a frase ‘meu pai é herói’ pintada na barriga de quase 9 meses de gestação. Nelli Bizzi, 79, soltou um dos balões em homenagem ao neto Patrick, um dos presos e o terceiro bombeiro da família: “Meu pai era bombeiro e sempre lutou pelos direitos da corporação”.O bombeiro argentino Matias Monttecchia veio de Mar del Plata para a manifestação: “Não dá para heróis ganharem esse salário. É vergonhoso”.
Reportagem de Cristiane Campos e Leslie Leitão

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