Quatro policiais militares que participaram de uma operação na comunidade do Danon, em Nova Iguaçu, na noite do dia 20 de junho, quando o menino Juan de Moraes, de 11 anos, foi atingido por um tiro, deixaram de apresentar na 56ª DP (Comendador Soares), onde o caso foi registrado, um fuzil 7.62. A arma era um dos três fuzis usados pelos PMs no dia da morte do menor.
A informação consta em um relatório do inquérito, instaurado para apurar a morte de Juan, e que foi concluído anteontem pela Polícia Civil e remetido à Justiça. Assinado pelo delegado Ricardo Barboza, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), o documento conclui que não houve confronto entre PMs e traficantes e pede a decretação das prisões preventivas dos quatro PMs. A arma, de onde pode ter partido o tiro que matou Juan, foi descoberta num exame de confronto balístico com fuzis do 20º BPM (Mesquita) e projéteis e capsulas recolhidos pelo diretor do Instituto de Criminalística, Sérgio Henriques, no local do crime.
De acordo com os autos, que tem oito volumes e mais de mil páginas, os PMs usaram uma estratégia para forjar um auto de resistência. O quarteto efetuou disparos de pistolas cinco minutos após ter disparado tiros de fuzil. No registro feito na 56ª DP (Comendador Soares) consta que Igor de Souza Afonso, acusado de ser traficante e que morreu na operação, estava com uma pistola. Além dele, foram feridos ainda um irmão de Juan, de 14 anos, e um jovem de 19. Este último foi libertado após ficar preso mais de dez dias, sob a acusação de participar do confronto que nunca aconteceu, e de estar com uma pistola. Como o corpo de Juan foi encontrado dia 30 de junho, às margens do Rio Botas, um outro inquérito será instaurado para apurar crime de ocultação de cadáver. Os advogados dos sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares e dos cabos Rubens da Silva e Edilberto Ramos do Nascimento foram procurados para falar sobre o assunto. O advogado Edson Ferreira, que defende os três primeiros, disse só irá se manifestar após a Justiça decidir se vai ou não decretar as prisões preventivas. Já o defensor público Antonio Carlos de Oliveira, responsável pela defesa do cabo Edilberto, só falará sobre o caso após ser comunicado oficialmente da conclusão do inquérito.
Polícia pede prisão de PMs
A Polícia Civil pediu à Justiça a decretação da prisão preventiva dos quatro policiais militares envolvidos no morte do menino Juan Moraes. O inquérito concluiu que o menino foi baleado pelos PMs e a perícia constatou ainda que não houve confronto entre eles e suspeitos. Os acusados estão presos temporariamente desde o dia 21 de julho. A informação foi confirmada na manhã de ontem.
O laudo de confronto balístico do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) concluiu que todas as cápsulas encontradas no local do crime foram disparadas pelo fuzil usado pelo cabo, então lotado no Batalhão de Mesquita (20º BPM). Este mesmo policial está envolvido ainda em 13 autos de resistência (mortes de civis durante supostos confrontos com a polícia).
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