A Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro tem realizado uma rígida fiscalização aos ônibus, kombis e vans escolares e, em apenas dois dias, recolheu 17 carros de passeio que prestavam o serviço sem licença, além de outros veículos sem a documentação e os itens de segurança necessários para transportar diariamente milhares de estudantes. O Jornal de Hoje investigou como o transporte escolar é feito em Nova Iguaçu e descobriu que também existem vans irregulares no município.
Quem possui licença e trabalha de forma legal prefere não se expor, mas garante que há muitas vans e até mesmo carros de passeio transportando crianças nos principais colégios de Nova Iguaçu. Eles temem ser prejudicados pela concorrência irregular e até mesmo pelo poder público.
“Eu sei quem são, mas não denuncio ninguém. Todos precisam trabalhar neste país. Muitos querem legalizar a situação, mas a prefeitura impõe muitos empecilhos”, contou um motorista de van legalizada que não quis se identificar.
Um dos mais tradicionais colégios de Nova Iguaçu, o Instituto Iguaçuano de Ensino, localizado na Avenida Bernardino de Melo, na altura do ‘Buraco do Getúlio’, possui um grande número de alunos que utilizam o transporte escolar diariamente. Cerca de 700 crianças vão e voltam para casa em vans devidamente vistoriadas e licenciadas para exercer o serviço. É o que garante o diretor da instituição.
“O transporte não é oferecido pelo Iguaçuano, mas sim pela CITET (Cooperativa Iguaçuana de Transporte Escolar e Turismo). Os pais são quem contratam o serviço. Não recebo nada deles e não tenho vínculo com a cooperativa. Porém, indiretamente, o colégio é responsável, pois permitimos aos motoristas e seus ajudantes entrar na escola para buscar os alunos. A única exigência é que eles utilizem uniforme para que sejam identificados”, esclareceu o professor Edilton da Silva de Almeida.
Pais devem verificar qualidade
do serviço e condição do veículo
O diretor conta que faz o possível para garantir a segurança de seus alunos, mas lembra que compete aos pais verificar as condições do veículo que transporta seus filhos. Ele também conta que o ideal seria que o colégio tivesse seu próprio transporte escolar, mas diz ser algo distante de uma realidade.
“Infelizmente não é possível, o desgaste é muito grande. Um transporte escolar próprio seria mais uma dor de cabeça para nós. Teríamos de abrir uma empresa, ter motoristas, mecânicos. Até no Rio de Janeiro são poucas as escolas de ponta que prestam este tipo de serviço”, explicou o diretor.
Regulares ou não, as vans apresentam um problema em comum: o tempo que levam no trajeto entre as escolas e as casas dos estudantes. Muitos pais desistem do serviço por este motivo.
“Minha filha saía do colégio às 12h30, em Nova Iguaçu, e chegava em casa, em Mesquita, uma hora e meia depois. Isso acontecia porque as vans chegavam com os alunos do turno da tarde, que começa às 13h, para somente depois buscar os alunos da manhã. A aula dela acabava 12h30, mas ela só saída do colégio depois das 13h. Além disso, ela era uma das últimas alunas da van a ser deixada em casa”, disse a técnica de análises clínicas, Luciana Correa, 39 anos.
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